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Estudo aponta os principais riscos do uso de IA para dúvidas sobre saúde

O uso da IA para esclarecer dúvidas sobre saúde vem crescendo entre os brasileiros — mas nem sempre sem consequências. Um estudo recente, que ouviu pessoas de diferentes contextos e regiões, mostra que recorrer a essas ferramentas tem gerado ao menos três situações comuns: mais ansiedade em relação aos sintomas, interpretações exageradas do quadro clínico e a minimização de sinais que depois se revelam mais sérios. 

Os dados são do Olá Doutor, plataforma de consultas online via chat, que realizou um estudo para entendercomo os pacientes utilizam a inteligência artificial para buscar informações relacionadas ao próprio corpo e organismo. A pesquisa ouviu centenas de entrevistados e analisou desde a frequência de uso dessas ferramentas até os temas que mais despertam interesse entre os respondentes. 

Para Anderon Zilli, CEO do Olá Doutor, esse cenário reforça o papel da tecnologia como complemento, e não substituto, da avaliação médica. “Ferramentas podem ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica real”, explica. “Com o avanço da telemedicina, ser atendido por um médico deixou de ser um processo burocrático: hoje, consultas online permitem que os pacientes tenham acesso à orientação profissional em poucos cliques, reduzindo o risco de decisões baseadas apenas em informações encontradas na internet.” 

Quais são os principais temas relacionados à saúde que levam os brasileiros a utilizar IA?

Em um contexto marcado pela busca por mais agilidade nos serviços de saúde e a popularização da IA no cotidiano, os dados recentes divulgados pelo Olá Doutor apenas comprovam uma impressão geral: como, nos últimos anos, a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez mais presente na rotina dos pacientes, antes ou após uma consulta médica. 

Ao serem questionados pela plataforma, 71% dos entrevistados afirmaram ter recorrido à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre sintomas ou doenças, prática ainda mais comum entre pessoas com doenças crônicas (81,4%) se comparadas àquelas que não convivem com condições contínuas de saúde (61,6%). 

Outras diferenças também aparecem quando se observa o perfil dos usuários: as mulheres brasileiras tendem a utilizar mais a IA para questões médicas do que os homens (74,5% contra 66,2%), hábito também mais frequente entre os estudantes e pessoas de até 30 anos — grupos que mais recorreram à tecnologia nos últimos doze meses.

Na prática, de acordo com o Olá Doutor, canais como o ChatGPT e Gemini servem como uma espécie de ferramenta de apoio para compreender orientações ou informações técnicas. Não por acaso, quase metade dos entrevistados (49%) afirmaram ter usado a IA nos últimos meses para pesquisar sobre medicamentos, 41,6% recorreram à tecnologia para entender diagnósticos e 35,4% disseram usá-la para interpretar exames ou laudos. 

Mas, afinal, quais tópicos de saúde vêm levando a população até a inteligência artificial recentemente? Quando o assunto são os temas que mais despertam as buscas, sintomas gerais, como febre, dores e desconfortos lideram o ranking (59,6%), seguidos por nutrição e alimentação (54%) e questões de saúde mental, como ansiedade, estresse ou depressão (46,8%) — que evidenciam como a tecnologia tem sido utilizada tanto para dúvidas imediatas quanto para questões relacionadas ao bem-estar no dia a dia.

O outro lado da tecnologia: os riscos de se recorrer à IA para fins de saúde

Mais do que um recurso para esclarecer dúvidas rápidas, algo que o Olá Doutor descobriu é que, para o bem ou para o mal, o uso da IA também vem influenciando a forma como os brasileiros observam e interpretam a própria saúde, afetando o modo pelo qual a população se informa e toma decisões relacionadas ao próprio corpo e organismo. 

Entre os efeitos positivos identificados pelos entrevistados, muitos relataram uma postura mais ativa em relação aos cuidados pessoais: cerca de 58,8% afirmaram ter passado a prestar mais atenção em sintomas e sinais do próprio corpo após utilizar ferramentas de IA, enquanto 52,4% disseram se informar com maior frequência sobre prevenção e cuidados de saúde. Além disso, uma parcela considerável destacou ter adotado mudanças de hábitos no dia a dia (45,4%), incluindo melhorias na alimentação ou na rotina de atividades físicas. 

Por outro lado, o estudo também revela que o uso dessas ferramentas pode trazer uma série de riscos sem a orientação médica adequada. Muitos respondentes, por exemplo, afirmaram ter passado a pesquisar de forma excessiva sobre possíveis doenças (20,2%) ou se tornar mais ansiosos em relação à saúde após recorrer à IA (16,8%).

Em alguns casos, a interpretação das informações também gerou distorções: 3 em cada 10 deles relataram já ter interpretado um sintoma como mais grave do que realmente era, ao passo que 22,4% minimizaram sinais que depois se mostraram mais sérios. 

Para Anderon Zilli, CEO do Olá Doutor, esse cenário reforça o papel da tecnologia como complemento, e não substituto, da avaliação médica. “Ferramentas podem, sim, ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”, explica. “Com o avanço da telemedicina, ser atendido por um médico deixou de ser um processo demorado e burocrático: hoje, consultas online permitem que pacientes tenham acesso à orientação profissional em poucos cliques, reduzindo o risco de decisões baseadas apenas em informações encontradas na internet.” 

Qual será o futuro da IA na saúde? As apostas dos brasileiros 

Embora o uso da IA para esclarecer dúvidas médicas já faça parte da rotina de muitos brasileiros, essa relação, segundo os respondentes, ainda é marcada por certo nível de cautela.

De acordo com o Olá Doutor, mais da metade dos entrevistados (52,8%) afirmaram ter algum grau de desconfiança quanto ao armazenamento de seus dados de saúde, por exemplo, entre aqueles que confiam parcialmente nas ferramentas (33,8%), confiam pouco (12,6%) ou não confiam de forma alguma nesse tipo de tecnologia quando o assunto são informações de ordem pessoal (6,4%). 

É um cenário que ajuda a explicar como a população enxerga o futuro da inteligência artificial no setor: quando questionados sobre os próximos anos, a maioria dos ouvidos pela empresa acreditam que tal tecnologia deve avançar, mas com certas limitações e cuidados

Para 29,8% dos respondentes, a IA tende a impulsionar certas inovações na saúde, desde que acompanhada por regulamentações adequadas, enquanto 26,8% acreditam que seu uso será mais restrito — funcionando principalmente como uma ferramenta de apoio, e não uma sucessora do trabalho médico.

Metodologia 

Para entender o impacto da IA nos hábitos de saúde dos brasileiros, nas últimas semanas, foram entrevistados 500 adultos (maiores de 18 anos) residentes em todas as regiões e conectados à internet. O índice de confiabilidade foi de 95%, e a margem de erro foi de 3,3 pontos percentuais.

Ao todo, os respondentes tiveram acesso a 8 questões, que exploraram a frequência com que recorrem à IA para fins de saúde, os tópicos mais populares nas ferramentas e seus impactos no dia a dia. A organização das respostas possibilitou a criação de diferentes rankings, nos quais você confere o percentual de cada alternativa apontada pelos entrevistados. 

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