Entre 2015 e 2016 estima-se que as fraudes nos pedidos de seguro-desemprego tenham desviado quase R$ 2 bilhões dos cofres públicos. Para tentar acabar com os golpes, o Ministério do Trabalho decidiu ter a tecnologia como aliada e adotou uma aplicação antifraude desenvolvida com base na plataforma analítica da MicroStrategy.
De acordo com o Ministério do Trabalho, com o projeto, desenvolvido pela B2T, empresa parceira da MicroStrategy que oferece soluções em analytics, big data, gestão de identidade e análise forense, somente neste ano o combate à fraude já proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 500 milhões. A estimativa, porém, é que esse valor chegue a R$ 1,3 bilhão, com um ano de projeto. Além disso, mais de 25 mil requerimentos foram bloqueados, o que equivale a não liberação de cerca de R$ 139 milhões para pessoas que legalmente não eram merecedores desse benefício.
Antes da aplicação antifraude e do analytics, embora a Polícia Federal investigasse os casos de irregularidades, era praticamente impossível recuperar os recursos pagos indevidamente. Agora, prever a fraude e bloquear o pagamento já é uma realidade, segundo o ministério.
“A tecnologia é a única e mais eficaz forma de se combater a fraude. Esse projeto representa um marco absurdo na história do ministério, que desde 2014 vinha com a missão de desenvolver uma medida de combate à fraude que fosse realmente efetiva. Tínhamos um histórico de três ou quatro tentativas, mas nenhuma com tanto êxito como atual, aplicando a plataforma analítica da MicroStrategy. Trata-se de um projeto que tem o reconhecimento de toda a Esplanada e também em nível presidencial, pela economia que vem proporcionando ao erário”, enfatiza Leonardo Soares, Chefe de Gabinete do Secretário de Políticas Públicas de Emprego.
Segundo ele, a aplicação de inteligência analítica ajuda a obter as respostas certas, bem como conhecer o cenário a fundo, além dos perfis e padrões que estão relacionados àquele contexto de fraude. Isso graças ao cruzamento de um volume alto de informações, mesmo quando descentralizadas e armazenadas em diferentes bases de dados, realiza análises estatísticas avançadas com bases atuais e históricas, o que no caso do Ministério do Trabalho contribuiu consideravelmente para o sucesso do projeto. Para localizar os pedidos indevidos no programa de seguro-desemprego, foram cruzadas informações de diferentes órgãos — entre INSS, Receita Federal, Caixa Econômica Federal e do próprio ministério.
Futuramente, o projeto será estendido para a fiscalização de outros benefícios do Ministério do Trabalho, como por exemplo, o seguro-defeso pago para pescadores artesanais profissionais nos períodos em que são proibidos de pescar, antecipa Soares. A ideia é que a aplicação antifraude seja transformada cada vez mais em uma base de troca de informações e utilizada como ferramenta de otimização para maximizar ainda mais o ROI (retorno sobre o investimento) deste projeto.
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