Integrados a sistemas solares em regiões remotas, esses equipamentos funcionam como fonte de apoio em momentos críticos
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Enquanto o Brasil avança na transição energética com investimentos em fontes limpas como solar e eólica, uma tecnologia antes vista apenas como paliativa está voltando com nova relevância: o gerador a gasolina. Agora integrado a sistemas híbridos, ele ajuda a garantir energia em locais em que a rede elétrica tradicional não chega – ou não chega com estabilidade.
Esse movimento faz parte da chamada descentralização energética – ou geração distribuída –, que permite a residências, comércios e comunidades produzirem sua própria eletricidade.
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Brasil já ultrapassou 28 gigawatts (GW) de potência instalada em geração distribuída, sendo 97% desse total proveniente da energia solar. Mas nem todo lugar pode contar com sol o tempo todo.
Em regiões isoladas, com clima instável ou infraestrutura precária, a energia solar sozinha pode não ser suficiente. É nesse cenário que entra o gerador a gasolina como fonte de apoio.
Em muitos sistemas off-grid, especialmente em regiões rurais ou com infraestrutura instável, o gerador a gasolina é utilizado como fonte de apoio, garantindo fornecimento contínuo em períodos de baixa geração solar ou falhas técnicas. Ele entra em ação apenas quando o sistema principal falha ou quando as baterias se aproximam do limite, funcionando como um plano B que assegura a continuidade do fornecimento.
Um estudo do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), publicado em agosto de 2023, acompanhou durante seis meses o desempenho de sistemas híbridos em comunidades ribeirinhas de Alcântara.
A combinação de painéis solares e geradores a gasolina permitiu uma redução de 72% no consumo de combustível, em comparação ao uso contínuo do gerador. Com sensores inteligentes que monitoram carga, temperatura e emissões, os sistemas também ofereceram dados precisos para avaliar o impacto ambiental e operacional.
Além de áreas remotas, os geradores a gasolina também são empregados como suporte energético em frentes de obra, propriedades rurais, eventos móveis e até em unidades de saúde em locais afastados.
Nessas situações, sua portabilidade, operação simples e custo acessível os tornam uma opção viável para manter o fornecimento de energia, sem exigir infraestrutura complexa ou mão de obra especializada.
Outro levantamento, feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Centro de Pesquisa em Energia Renovável (CPER), analisou em 2022 o uso de geradores em comunidades amazônicas.
Em 40 sistemas híbridos estudados, os pesquisadores concluíram que, quando usados com critério, os geradores a gasolina são uma alternativa eficiente e mais acessível do que modelos a diesel, que são mais caros, exigem manutenção especializada e têm operação mais complexa.
Mesmo nas questões ambientais, há avanços. O estudo da UFMG revelou que o uso de gasolina aditivada com 27% de etanol – padrão no Brasil – reduziu em até 18% as emissões de monóxido de carbono e partículas finas, quando comparado ao uso de gasolina pura.
Muitos dos modelos analisados já contavam com sensores inteligentes que otimizam o uso do combustível e monitoram o desempenho em tempo real, tornando o sistema mais eficiente e ambientalmente responsável.
No fim das contas, a descentralização da energia no Brasil depende de soluções flexíveis, modulares e adaptadas à realidade de cada região.

