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O que esperar do blockchain no Brasil

Tendo como proposta descentralizar as relações de confiança entre membros de uma rede, a tecnologia de blockchain vem sendo avaliada por diversas empresas, dos mais diferentes ramos de atuação. No exterior, de grandes bancos a fabricantes de sensores, todos vêm apostando suas fichas na prototipação de pequenas provas de conceito, com a expectativa de que até o fim do ano consigam colocar em produção alguns desses experimentos. No Brasil, a maior parte das empresas ainda está vivendo um processo de ganho de competência através da formação de grupos multidisciplinares dedicados ao estudo da tecnologia, para que, uma vez entendendo os impactos em seus negócios, possam desenvolver protótipos e validá-los durante o ano.

O termo blockchain vem sendo adotado como um grande guarda-chuva para descrever um conjunto de tecnologias que envolvem a arquitetura distribuída de sistemas computacionais, estruturas de armazenamento de dados, protocolos de comunicação e muita, mas muita mesmo, criptografia.

Com essas tecnologias, é possível criar uma relação de confiança em um ambiente desconhecido, onde os membros do sistema podem confiar uns nos outros, sem que haja uma entidade centralizada realizando qualquer tipo de verificação ou mediação entre eles.

Dentro desse guarda-chuva existem diversas combinações de arquiteturas, protocolos e estruturas. Por exemplo, algumas empresas brasileiras do setor financeiro se juntaram a outras 70 empresas de todo o mundo no consórcio R3 para estudar a aplicação de arquiteturas distribuídas de acesso restrito. Nesse tipo de rede, conhecido como blockchain privado, apenas membros autorizados podem participar, simplificando os requisitos de segurança para o armazenamento das informações e permitindo até eliminar a estrutura de blocos encadeados que emprestou seu nome para a buzzword mais comentado do momento.

O estudo de alternativas ao modelo de blockchain público, em que qualquer um pode participar — caso do bitcoin —, é justificado e necessário já que apesar de nunca ter falhado desde o seu lançamento em 2009, a rede impõe limitações como o tempo alto de confirmação de transações (próximo a 10 minutos) além de uma taxa de no máximo sete transações por segundo (tps). Para se ter ideia da demanda em mercados globais, o Paypal processa cerca de 150 tps, enquanto a Visa tem média de 2 mil tps, podendo lidar com picos de até 56 mil tps.

Mesmo com a ampla distribuição da rede do bitcoin, cujo poder computacional é 300 vezes maior que o do Google, as empresas avaliam outras iniciativas de blockchain público como o HyperLedger ou Ethereum, já que redes privadas de menor porte tendem a ser mais susceptíveis a ataques e fraudes. Inclusive existem experimentos do Banco Central do Brasil utilizando Ethereum para implementação de um terceiro nível de tolerância a falhas em seus data centers. Algumas empresas preferem se afastar do Ethereum pois ele ainda sofre os chamados hard forks (mudanças no protocolo que tornam a rede incompatível com versões anteriores); além de cobrar uma taxa referente ao custo computacional dos smart contracts executados na rede, uma espécie de Amazon Web Services do mundo blockchain.

Algumas startups brasileiras, com seus modelos de negócio mais ágeis, já estão experimentando implementações com públicos segmentados. Um dos casos é o da OriginalMy.com que utiliza o blockchain público do bitcoin para o registro de documentos, uma aplicação que substitui os tradicionais cartórios notariais. Na comunidade de Paraisópolis na cidade de São Paulo, a startup Ewally tem um projeto piloto em execução, atuando como uma carteira virtual voltada para o público desbancarizado e implementada com blockchain.

Boa parte dessas startups é acelerada por grandes bancos privados, como Bradesco e Itaú, por meio de seus programas de inovação. A oportunidade de manter seu mercado — e até aumentar a participação, como no caso do público sub ou desbancarizado — atrai e muito até aqueles que atuam como intermediários. Por exemplo, a Câmara Interbancária de Pagamentos está presente nas discussões sobre regulação para o setor dado que seu negócio de boletos bancários pode ser fortemente afetado em um sistema descentralizado. Não se engane, há espaço para todos, grandes tradicionais ou pequenos inovadores. O importante é investir em pesquisa na área para saber como navegar e onde atracar seu barco neste oceano pouco desbravado.

Assim como toda inovação disruptiva, o blockchain ainda está em busca do seu nicho de mercado ideal. As pesquisas e prototipações estão engatinhando, portanto, não haverá uma substituição, no curto prazo, dos sistemas em funcionamento que já atendem às demandas atuais. As empresas devem se preparar para uma coexistência de sistemas centralizados e novas implementações usando blockchain, sendo que só um bom retorno dos investimentos em pesquisas e protótipos poderá determinar uma curva de adoção mais acentuada do blockchain nos próximos anos.

*Luis Hachich é gerente executivo e Gustavo Cazangi é líder de emerging do Fórum de Tecnologia e Inovação do Venturus.

 

 

 

 

fonte: http://computerworld.com.br/o-que-esperar-do-blockchain-no-brasil

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